Do outro lado da rua todo um passado. Regina sabe do perigo e da quantidade de pessoas e encrencas que podem passar por ali.
Pede uma Coca, pega um cigarro e senta, espera a única pessoa que importa ali. Mas tantas outras podem passar por aquele lugar...
De repente, passa ela. É. Aquela pra quem Regina pediu desculpas, aceitou desculpas e nada se resolveu. Regina está ali esperando outra pessoa, que poderia ter chegado antes, mas... Ela apareceu antes. Vamos lá, respira fundo.
Em um milésimo de segundo, nem tão pequeno assim, várias coisas passaram pela cabeça da Regina:
- Levantar da cadeira, abaixar a calça e mostrar a bunda;
- Correr até o outro lado da rua sem olhar pros lados e dar um abraço e dizer "caramba... apesar de ódio, mágoa e receio, sinto sua falta";
- Gritar dali mesmo: "Filadaputa, corre que eu vou te socar!"
- Dar um singelo "Oi!", acenando com as mãos, um sorrizinho amarelo;
- Encarar cada passo sem emitir qualquer tipo de sentimento;
- Ignorar.
Regina escolheu ignorar, claro.Mas a real questão é: Será que era isso que deveria ser feito?
Anyway, o que aconteceu hoje foi a prova de que as pessoas são incapazes de manter sinceridade e não acreditam em futuro. Foi a prova de que as coisas acabam mais rápido do que começam e certos sentimentos não voltam.
Foi um alívio. Arquivo esvaziado da lixeira. Um desconhecido íntimo. Uma breve lembrança. Uma eterna mágoa.
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